Época de Aprendizados

Uma das maiores preocupações da atualidade envolve a COVID 19 e suas abrangências: o medo da pandemia, da crise econômica e das possíveis complicações dos estados clínicos. Porém, algo muito maior tem crescido além da pandemia: as repercussões psicológicas de tudo isso, a Ansiedade, a Síndrome do pânico e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).
                Doenças psiquiátricas têm um histórico de marginalização em nossa sociedade, seja no meio médico ou no meio externo. Pessoas com sintomas psiquiátricos precisavam reprimir suas dores (dores da alma) pois eram taxadas como “frescura”, “procurando problema onde não tem”, entre outros termos pejorativos. Os antigos manicômios não eram clínicas de tratamento, mas sim depósitos de doentes com o propósito de afastá-los da sociedade e condená-los a uma prisão perpétua, até a morte.
                Já nos dias atuais, muita coisa evoluiu: não há mais o preconceito com a consulta com o psiquiatra, os médicos têm mais consciência dos transtornos de humor, das esquizofrenias e das compulsões, conseguindo avaliar melhor seus pacientes. Entretanto, com a Pandemia de Corona vírus anunciada, muitas pessoas, em seu isolamento, interromperam rotinas e socialização e, por conseguinte, pararam abruptamente a evolução da boa saúde mental.
                São notícias negativas diariamente que alimentam as ansiedades, são isolamentos acentuando as depressões e também são as novas regras de higiene que criam e pioram os TOCs de limpeza entre outros. Mas há uma solução para esta desequilibrada equação: se proteger biologicamente e preservar um bem estar mental?
                Sim. Mesmo fora de nossas rotinas, é importante lembrarmos daquilo que nos faz feliz: temos muitos pontos em nossas agendas que precisamos realizar por “obrigação”, levantar cedo, rotina de trabalho, cuidado com os filhos, cuidado com a casa entre outros. Porém, se começarmos a acrescentar nessas rotinas coisas que nos fazem felizes nossas rotinas ficam muito mais leves: escutar música, assistir a um bom filme, ler, praticar algum hobby…
                A rotina é algo que construímos e assim podemos moldá-la da melhor forma: cumprindo nossas obrigações e tendo uma vida mais leve. Logo voltarei para falar em como podemos identificar transtornos psiquiátricos e entender quando um sintoma começa a ficar preocupante em nossa vida.
Dr. Danilo Botelho – Clínica Eviva/Multimédicos